SOBRE O FLI 2021

FESTIVAL LITERÁRIO NO VALE DO RIBEIRA

Em 2021, o FLI amplia sua presença e seus horizontes. Desde 2013, quando começou em Iguape, o Festival Literário foi se constituindo como um convite a conhecer mais camadas do chão que pisamos. Território e identidade. Oito edições concebidas a partir e pela diversidade cultural do Vale do Ribeira, em diálogo com movimentos, cenas e culturas de outras partes do Brasil. Neste ano, o Festival navega pelo Rio Ribeira e ganha novos lares. Afinal, FLI é Festival Literário do Vale do Ribeira, no Vale do Ribeira.

Curadoria: Amara Moira, Daniel Munduruku e Renato Noguera.

Apoio Institucional: Parque Estadual Carlos Botelho, Parque Estadual Caverna do Diabo, Fundação Florestal, Sesc SP.

Apoio: Associação Jovens da Juréia, Espaço Grupo Caixa Preta de Teatro, Quilombo Ivaporunduva, Prefeitura Municipal de Cananéia, Prefeitura Municipal de Eldorado, Prefeitura Municipal de Ilha Comprida, Prefeitura Municipal de Sete Barras.

Parceria: Literatura Brasileira no XXI, SP Leituras, SisEB, Casa das Rosas

Realização: Prefeitura Municipal de Iporanga, Prefeitura Municipal de Registro, Poiesis, Oficinas Culturais, Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Governo do Estado de São Paulo.

 

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HERANÇAS, PRESENÇAS E HORIZONTES

Chega um tempo em que povos mantidos à margem, acuados por toda a vida, passam a dar as cartas na reescrita da história. Essa história que chega até nós, que gerações e gerações nos legaram, mas também a história que nos fez, nos faz e que fazemos, ambas podendo muito bem ser desfeitas, refeitas, perfeitas (aqui no sentido de perfazer, concluir). Estátuas de genocidas e escravizadores amanhecendo vandalizadas, ou devoradas, recriadas, podia-se pensar, no melhor espírito iconoclasta (palavra que parece aceitável apenas em seu sentido figurado, a iconoclastia tão louvada dos primeiros modernistas, p.ex., mas que escandaliza quando levada ao pé da letra), ícones das nossas letras tendo suas produções revistas, ressignificadas (a hegemonia perdendo a capacidade de definir/controlar os sentidos que suas obras suscitam, Monteiro Lobato que o diga), nomes desconhecidos ou não-reconhecidos, muito indígenas, muito pretos, muito mulheris, muito transviados, de repente firmando-se como referência no panorama das artes e do pensamento, tudo isso obrigando à construção de novas cartografias com os pontos incontornáveis seja do nosso passado, seja do que se produz hoje. A presença da herança, passado que nos prende a um caminho, caminho esse que deu em nós e que não sabemos aonde mais dará. Uma só certeza: essa herança que nos faz e o que fazemos dela, da combinação tensa desses elementos é que se formarão os horizontes.

Amara Moira

 

O que fazer com o que fizeram de nós?

A história não começa comigo, contigo, com nós. Somos apenas fios de uma teia que se forma para além de nós: no passado ou no futuro tornando-nos herdeiros de uma canção ora triste, ora feliz; ora clara, ora escura; ora boa, ora ruim.

Estamos permeados por dores e amores que gritam em nosso ser como tatuagem escrita por uma mão invisível que seduz ou induz nos propondo caminhos que nem sempre foram pisados pelos pés dos nossos ancestrais. Nos fazem digerir uma história composta pela voz dos inimigos de nossos avós.

O que fazer com o silêncio que nos impuseram? Gritar. Gritar pelos quatro cantos. Gritar em coro de muitas vozes que agora se unem para homenagear o passado, única história que pode nos impulsionar para os desafios do amanhã. Gritar como vozes presentes, herdeiras de vozes ausentes. Gritar como cultivadores de horizontes, construtores de pontes para o porvir.

Somos herança, somos presenças, somos horizontes. Vamos construir outro mundo possível como reverência aos avós, como presente aos nossos filhos e como herança para nossos netos. Iremos reconstituir a teia para que sejamos partes, novamente, na construção de novos caminhos a seguir.

Daniel Munduruku

 

O que pode um encontro literário? O que podem as artes diante de uma sindemia, junção entre pandemias de um vírus respiratório, sociais e políticas? Em 2021, o Festival Literário no Vale do Ribeira (FLI), sob o tema “Heranças, Presenças e Horizontes”, é um convite para conexões. Os gritos que clamam por ar, seja por conta da violência racial que sufoca gente negra e indígena, seja por causa da Covid-19, somada à falta de cilindros de oxigênio, são vozes variadas e muito diversas. Neste FLI, a conversação entre literaturas e outras artes passa justamente por ampliar a nossa capacidade estético-respiratória. Na arte dos encontros, o exercício de aproximação entre as nossas heranças com os horizontes de futuros possíveis está assentando na nossa presença, pela insistência em vozear pelos meios possíveis. Ora, vozeando em muitos tons é que as potências de artistas encarnades realizam o aumento da atividade estética de uma sociedade. Mulheres, indígenas, pretos, trans, pessoas com deficiência, crianças nunca deixam de fazer arte. Porém, as “máscaras brancas” sempre procuraram interromper o fluxo natural de ar-te. É dito por gente que conta história que o ar imita as artes. Por isso, fazer e respirar “arte-mosferas” é uma forma segura de garantir que o “ar” não falte. É preciso enxergar, ouvir, tatear, saborear e sentir os odores de Heranças, Presenças e Horizontes, como quem entra num caleidoscópio. Todas as atividades são formas de manter e ampliar a nossa capacidade estético-respiratória.

Renato Noguera

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